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Estratégias para inovar
Especialista dá as dicas para uma empresa crescer e se tornar competitiva.
Inovar é introduzir no mercado produtos com valor agregado diferenciado e que permitam que a empresa expanda seus negócios, investindo em novas idéias. Esta definição é do diretor da Anpei ( Associação Nacional de Pesquisa, Desenvolvimento e Engenharia das Empresas Inovadoras ), órgão que realizou recentemente uma pesquisa sobre os fatores mais importantes para a inovação em micro e pequenas empresas. Em entrevista à Papel & Arte, Martín Izarra fala sobre o perfil de instituições inovadoras no Brasil e dá dicas de estratégias importantes para o comércio.
Em que consistiu a pesquisa feita pela Anpei?
Martín Izarra: A premissa da pesquisa foi avaliar por que as micro e pequenas empresas não investem em inovação. Os trabalhos foram desenvolvidos pelo Comitê para Micro e Pequenas Empresas, formado por membros do Sebrae, empresários que já tiveram micro ou pequenas empresas e que hoje cresceram e alguns institutos. O comitê foi criado durante o congresso da Anpei no ano passado. Queríamos estudar os processos de inovação para entender a razão pela qual a maioria das empresas de pequeno porte não investe nisso.
Quais os resultados da pesquisa?
Martín Izarra: Enviamos questionários para 20 mil micro e pequenas empresas e recebemos 184 respostas de instituições que se consideraram inovadoras. A partir daí, avaliamos as respostas e tentamos descobrir o que elas fizeram de diferente das outras empresas e que propiciou seu crescimento e diferenciação no mercado. Descobrimos que só 30% delas conhecem incentivos como as bolsas do CNPq, os programas de extensão de institutos que dão auxílio tecnológico e os incentivos do governo, como a Lei de Informática, que oferece diferentes tipos de isenção a quem investe em pesquisa. Os resultados também mostraram que mais de 70% desses empresários inovam dentro do próprio empreendimento e que 30% contratam institutos especializados para organizar estratégias.
Que conclusões podem ser tiradas desses dados?
Martín Izarra: Ficou claro que ainda não há um diálogo maduro entre as micro e pequenas empresas e as instituições de pesquisa. Tanto que ainda é pequena a prestação de serviços dos institutos para as empresas. Além disso, o resultado serve de alerta para o governo, que desenvolve programas de estímulo ao crescimento, mas não os divulga da melhor maneira possível. Outra constatação importante foi que 95% das empresas que cresceram tiveram como foco a inovação tecnológica, ou seja, elas usaram tecnologia para se diferenciar no mercado e alcançaram bons resultados. Também percebemos que as micro empresas são mais inovadoras que as pequenas, e as pequenas, mais inovadoras que as médias. Isso porque a empresa normalmente começa pequena e precisa lançar novos produtos no mercado para ganhar espaço. Depois que o empreendimento cresce, essa necessidade de inovar vai sendo reduzida. O potencial de inovação vai sendo menos utilizado conforme a entidade vai crescendo. Chegamos a uma conclusão importante: as dificuldades para obter um financiamento e a burocracia são os principais empecilhos para a inovação.
Qual o perfil das empresas inovadoras que responderam à pesquisa?
Martín Izarra: A maioria delas são empresas têxteis, de fabricação de software, eletrônicas ou de automação. As empresas inovadoras sempre aplicam a tecnologia de alguma forma. Como já foi dito, este é um dos pré-requisitos para inovar. Constatamos que, se a micro ou pequena empresa não desenvolve tecnologia, ela não consegue continuar crescendo.
Quais são os estímulos à inovação?
Martín Izarra: A concorrência com outras empresas é o principal estímulo. Mais de 80% dos empresários consideram o próprio mercado como fator de impulso no crescimento, e não os incentivos do governo. As empresas têm capacidade para inovar e o motor para isto é a concorrência. As micro e pequenas inovam porque precisam aproveitar as oportunidades para sobreviver no mercado competitivo. A estrela desse tipo de empresa é o próprio empreendedor, que precisa se dedicar para desenvolver novas idéias e produtos.
Como os empresários do comércio podem inovar?
Martín Izarra: Em primeiro lugar, é preciso ficar “ligado na tomada”. É importantíssimo pensar o tempo todo em possíveis maneiras de inovação e observar o que ocorre ao seu redor. Empresários de setores de alta competitividade, como é o caso dos papeleiros, devem fazer um benchmark, ou seja, uma análise comparativa entre o seu negócio e o de terceiros. Ele deve observar os comportamentos de outros empresários no Brasil e no mundo e detectar as tendências atuais para, a partir daí, inovar em seu estabelecimento. Para isso, é preciso pesquisar muito, entrar na internet, participar de feiras nacionais e internacionais. Chamar a atenção do cliente para o seu negócio também é importante. Como uma das prioridades atuais é a preservação do meio ambiente, o comerciante pode oferecer produtos reciclados, por exemplo. Assim, ele se diferencia dos concorrentes, ou seja, inova.
Além do que já foi citado, existem outras alternativas de inovação para empresários da cadeia papeleira?
Martín Izarra: Quem trabalha com distribuição de produtos deve procurar exemplos e estratégias usadas em outros lugares do mundo e se relacionar com associações e entidades da sua área. Neste caso, inovar pode ser encontrar um método de distribuição mais eficaz, por exemplo. Uma empresa revendedora de cadernos poderia fazer visitas a escolas ou a outros lugares onde há muitos consumidores deste produto, para conhecer melhor seu público final. Estas são algumas possibilidades de se diferenciar no mercado para garantir as vendas. Existem ainda muitas outras atitudes que podem ser tomadas. Acima de tudo, é preciso estudo, dedicação e tempo. As soluções não vêm da noite para o dia.
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